domingo, 3 de fevereiro de 2013

Amorzinho

Eu gosto dessa ingenuidade de quem ama leve. De quem rega amor. De quem canta como passarinho solto na matina. Amor tem que ter pureza, leveza. Tem que ser feito chantily que tem a aparência consistente mas é leve como pluma e derrete na boca. Sem pretenções, sem fundamentos. Amor com cheiro de chuva chovendo, capim molhado no sítio do vovô. Amor tem que ter cheiro de bebê, aquele cheirinho bom de sentir, que faz ninar até dormir. Eu gosto de amor que não sufoca, que constrange de doçura. Que não deixa marcas que não sejam pétalas de rosas no chão da sala. Daqueles que saem do cinema com os dedos sujos do sal da pipoca e que ficam lambuzados no canto da boca depois de tomar sorvete na vendinha da esquina. É preciso amor assim, sorrateiro e levinho, amor de interior, com cheiro de matinho.


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