Nadjanara, 25 anos, cristã protestante, romântica assumida e com os pés fincados no chão. A vida é cheia de reticências, mas exige pontos finais no meio de algumas frases inacabadas. Não sou escritora, só quero escrever!
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Encaixe
Eu gasto horas do meu dia planejando todos os meus passos, as minhas falas, a roupa mais linda. Coloco o quarda-roupas abaixo para encaixar em alguma peça que vá desviar a atenção da mulher tão culta que lê livros e escreve da vida. Peço ajuda, ouço conselhos. Mudo a cor da unha pra não parecer vulgar, diminuo o salto pra ter a sensação de que ele vai encaixar o braço forte em mim. Eu nunca vou ter essa sensação absoluta que você tem quando põe uma sandália e um short de surf. Ele é a medida certa para tudo o que não deu certo ainda. O tamanho exato, o queixo exato, o olhar que cabe no momento, a altura bacana para o meu salto 15. Poxa vida, que bacana isso de estar entrando numa furada. É que quando eu começo a escrever assim é uma furada e há dias eu escrevo sobre essas estranhezas de gut gut. Que saco, mais uma armação. E ele tinha que ser tão bom em me convencer? Qual é? Não é tão comum as pessoas serem amigas e saírem por ai sem rumo apenas para conversar? Ele tinha que me olhar ingênuo pedindo um minuto da atenção da minha boca trêmula? Eu não consegui desviar o olhar, não era a boca que eu iria desviar né. Ele tem essa mistura arrebatadora de coisa boa com coisa melhor ainda. O beijo dele tem sabor de que amanhã será melhor e dai a sensação de que eu preciso dele para que o dia tenha outro sabor. Logo eu sei que ele tem estadia na minha vida. Que nem precisa de esforço para ficar. Ele faz tudo exatamente como não deveria ser feito, porque eu precisava ficar só comigo e isso é tão frustrante porque é a prova de que eu não mando mais em mim, ele tomou as rédeas da situação. Droga! Eu tô boba e cheia de palavras mastigadinhas, ele diz que eu falo direitinho, tudo bem explicado e até isso ele consegue desorganizar. Só pode ser um momento de fraqueza, isso não pode estar se arrastando para uma paixonite aguda. É o fim da picada estar absolutamente entregue a um cara que surgiu do além e que apesar de caber direitinho em todos os meus espaços, é o meu eu masculino. Como eu vou me namorar? Olhar pra ele é me ver refletida. É tudo tão perfeito para que eu possa acreditar.
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