Nadjanara, 25 anos, cristã protestante, romântica assumida e com os pés fincados no chão. A vida é cheia de reticências, mas exige pontos finais no meio de algumas frases inacabadas. Não sou escritora, só quero escrever!
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Fome
A gente se entende na respiração, no olhar, na confusão dos dias que não nos sobram espaço. A gente se entende nas horas vagas que só surgem nas madrugadas. A gente se dá bem quando ele me liga meia noite e eu acordo viril. A gente se sufoca de desejo, de prazer, de costume.
Não tem segredos quando a gente tira a roupa. A gente se aquece, se esquece. Vira bixo, daqueles vira-latas. Porque a intimidade flui. Tem respeito, cada um sabe do espaço do outro e a vida segue sem cobranças. A gente se ama, se chama, se cama! O lance todo, é que não pára na cama, nos lençóis amarrotados, no suor do quarto. A gente se completa lá fora. Quando ele me diz que ta com saudade, quando eu digo que ele é cheiroso. Quando ele me liga pra saber se eu jantei. A gente se basta nessas circunstâncias, porque é uma troca mútua de fidelidade e afeto pela nossa amizade, além de tudo.
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