sábado, 9 de fevereiro de 2013

Volte

Transformou-se em nó, secou a garganta, fechou a passagem do ar, comprimiu abdome, pulmão, espremeu o coração. Caiu uma lágrima, o choro sufocado revelou a dor. A frieza... só do meu quarto vazio, do lugar vazio que agora se ocupa com lembranças. O edredom ficou grande, os pés ficaram gelados. Não era pra se entregar, a voz faltou, os dedos é quem falam, na leveza de um teclado, posso contar aquilo que a memória quer esconder. Tenho sequelas do amor, de tudo o que deixou em mim, estilhaços de um acidente proposital, que eu mesma planejei. Frustrações, pensamentos vagos, lembranças sem nexo, sem explicações. Inevitável dor, música leve, televisão, fones de ouvido, livros na cama, celular que não toca, viagem, você. Cadê você? Eu queria ser feliz, ao menos agora, ao menos aqui. Onde paramos? Porque você parou. Não precisava me obedecer quando eu disse para ir. Era drama, eu queria você aqui, queria decisão, ser dúvida não cabia mais em mim. Volte. Ainda estou aqui, sozinha, em chamas, por você, por nós.

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